Querido homem insignificante,
Você me ligou ontem, mais uma vez, e eu, novamente, não o atendi.
Achei que deveria escrever isto, caso um dia você ache esta carta. Sei que não irá achar nunca, mas sendo uma pessoa horrível como sou, me sentirei menos culpado.
Direi a você aqui, agora, algumas verdades deselegantes e não pensarei em você nunca mais.
Sinto muito. Eu sinto muito e você é tão feio.
Eu achei que com um pouco mais de álcool sua conversa entediante seria neutralizada.Me arrastei para aquele quarto num ato de total experimentação científica. Eu acho que quis, um pouco, conseguir ser feliz com uma pessoa medíocre e desinteressante.
Seria tão perfeito.
Seu nariz largo e mal feito, seu sorriso grosseiro, sua estrela na testa por ser médico. Você ficou tão excitado comigo que não percebeu a falta de resposta do meu corpo.
Idiota.
De qualquer forma, eu gostaria de agradecer por uma descoberta. Descobri, graças a você, que não dou a mínima mesmo. Não sinto falta de medíocres. Não sinto falta de pau. Ainda que continue achando que eles devam ser grandes e grossos. Preferencialmente mais grossos do que grandes. No fim eu também não sou melhor do que isso tudo, e de forma alguma lhe escrevo como um ato de superioridade.
Apenas comunico que não irei lhe atender nunca mais.
Fique bem.
Sinceramente,
Rajko
Dedo anelar
Abacaxi com hortelã
Holiday Patent Ox Vermelho Verniz
Maio 22, 2008 às 2:24 pm |
“Eu sinto muito e você é tão feio.”
Isso é tão tão tão você.
Eu? Eu não sinto porra nenhuma e você é tão incrível.