Querido bloco de notas e cursor piscante na tela do computador,
Um céu amanteigado engole quase toda a angústia dessas palavras com uma anestésica e confortante preguiça. Eu costumo involuntariamente suspirar profudo quando me sinto assim: Parece que meu corpo quer expulsar o que a mente não respira.
Hoje eu recebi umas sacolas cheias de roupas caras. Aos poucos eu me condeno e volto a me familiarizar com toda a idéia de me vincular para sempre nisso. Eu só não queria ter que voltar a conviver com aquelas pessoas. Eu só não queria ter que voltar a conviver com aquelas pessoas e usar camisas listradas de seda.
Pessoas pequenas não deveriam trabalhar em ambientes formais.
Andei pensando na minha mania de falar com estranhos. Eu não sei se sou carente ou se desprezo tanto as pessoas a minha volta, que me viciei em conversar e cuspir intimidades com aqueles que moram longe e que me pareçam interessantes. Eu sou exibicionista e voyer mas consideravelmente frígido, ao menos, quando me comparo com alguns amigos que trepam como cadelas excitadas com tudo o que lhes aparece a frente de suas fuças.
Gostaria de admitir que escrevi para ele novamente antes que eu acabe não admitindo. Esconder esse tipo de coisa dentro da própria cabeça só torna tudo maior e mais desastroso do que realmente é. Foram uma ou duas frases, nada comprometor demais, mas o suficiente para carimbar na minha testa o quanto eu sou uma pessoa lelé da cuca.
Ignorei completamente essa semana mas irei parar com isso. Quero 14 de julho.
Amor,
Rajko
Apartamentos maiores
Rélogios com pulseira fina de couro
Inglaterra 1960
Panturrilhas de 36 cm.
Maio 20, 2008 às 4:45 pm |
Amei! Muito! Esse é o verdadeiro você né?
Beijos!
Maio 20, 2008 às 7:09 pm |
o que eu posso dizer?
voltar para algo assim pode até fazer sentir como um retorno indesejável, mas nem sempre. eu sei que pra você não é, que você já passou por bastante e por isso valeu à pena. que venha o passado em forma de futuro. :*
Maio 22, 2008 às 2:27 pm |
Eu também falo- e tu sabes disso.
Mas eu falo muito: acho que falar nem é a palavra certa, eu abro para todos.
Arregaço a minha alma- as pernas não mais porque estou casada, mas enfim…
É carência sim. E é esperança. Porque nós ( eu e tu ) sabemos que ninguém vai entender ou falar qualquer coisa que nos dê qualquer paz de espírito, mas mesmo assim nós tentamos. Como cegos procurando alguma coisa.
Tu vais achar, amor, eu juro.